O que acontece quando um estudante de Comunicação, fanático por música, resolve falar sobre o tema? A resposta está aqui... um blog ao estilo Jukebox de ser, que tenta fazer um mix de todos os questionamentos e dicas sobre uma arte essencial para viver, a música.

Ler aprimora os ouvidos

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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Elas Cantaram Roberto Carlos

No ultimo domingo (31/05/09) a Rede Globo levou ao ar o show “Elas Cantam Roberto Carlos” que fez parte dos eventos em homenagem aos 50 anos de carreira do “rei”. No evento, as principais vozes femininas país interpretaram as principais canções de Roberto Carlos. Ivete Sangalo, Nana Caymmi, Cláudia Leite, Fernanda Abreu, Marina Lima, Wanderléia, dentre outras, fizeram emocionadas interpretações, como quem realmente reverenciavam à Magestade.

Como já era de se esperar, o show foi simplesmente brilhante. Cada cantora, em seus diferentes estilos, deram o melhor de si para passar a emoção existente nas românticas canções do precursor da Jovem Guarda. Ivete Sangalo com sua voz firme e singela abriu o espetáculo com “Olha” e o encerrou com os “Os Seus Botões”. Ana Carolina trovejou a “Força Estranha” composta por Caetano Veloso e incorporada por Roberto. A melosa e delicada voz de Sandy Leah entoou “Como É Grande o Meu Amor Por Você”. E Marília Pêra voou numa dramatização absolutamente teatral em “120... 150... 200 Km Por Hora”. Diferentes e femininas vozes cantando o amor do rei.

Dentre tantas vozes, uma me surpreendeu. Ao cantar "Você não sabe" Hebe Camargo fez aquela que, a meu ver, foi uma das melhores performances da noite. Já havia escutado sobre o gosto da apresentadora pela arte de cantar, mas não sabia que tinha sido essa sua primeira profissão, e muito menos o quão tocante era sua interpretação. Tão acostumado as suas gracinhas entre os celebres convidados de seu programa, desconhecia o seu lado cantor. Definitivamente, uma tocante surpresa. Um show de interpretação. Um show de emoção.

Não posso deixar de falar daquela que para mim foi a maior emoção do show – Alcione cantando Sua Estupidez. Visivelmente foi a melhor interpretação da noite. Mais uma vez Marrom mostrou o que é cantar com emoção, mais do que isso, mostrou o que é passar emoção. Os gemidos musicais da negra maranhense, dignos das divas do soul americano, deram um toque todo especial a letra sentimental da canção.

Creio ter sido essa uma homenagem que o rei do rock, da música romântica, da MPB, jamais esquecerá. Apesar do reconhecimento e das milhares de oportunidades vividos por Roberto Carlos nesses 50 anos de carreira, penso ter sido essa uma emoção singular. Uma emoção que certamente esse quase septuagenário que há cinqüenta anos faz música terá como ponto alto e reconhecimento maior de seu trabalho.



Você não sabe – Hebe Camargo


Sua Estupidez - Alcione

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

De Blog pra Blog

Olá possivéis leitores deste blog, hoje não vim falar de nenhuma banda, nenhuma música, nenhum artista. Vim apenas fazer um convite, que, obviamente, trata-se de música.

Na última quinta-feira, o Blog Leorama (o qual eu já comentei em outro post aqui) publicou mais uma edição do Ramacast - podcast do blog. A 8ª edição do Ramacast teve como tema Trilha Sonora de Filmes, e este blogueiro que vos escreve, que tem um blog sobre música e é leitor do Leorama foi convidado a participar da discussão.

No podcast, Leo (dono do blog), o Raminha (irmão do Leo), Yuji, Duda, demais integrantes do blog, e eu, falamos de trilhas muito boas - sempre com muita discontração. Uma experiência muito massa. Enfim, espero que todos que por ventura leiam este texto confiram o podcast.

Abaixo deixo uma música que faz parte de uma das trilhas comentadas.
Valeu!


Gilberto Gil - Esperando na Janela




Leorama - http://www.leorama.org/
Ramacast 8 -

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Vitrine Orkut

Em mais um dia tedioso, de muita chuva e nada pra fazer, em frente ao computador, atualizando sucessivas vezes a pagina do Orkut na esperança de algo novo, eis que acontece. Em meio a tantas atualizações de fotos, depoimentos, aniversários e outros, um vídeo me chama a atenção. Na imagem, um rasta loiro com um violão em mãos – foi o bastante para chamar minha atenção. Fui olhar o vídeo.

Silas Giron, esse era o nome do violeiro. Num autentico vídeo caseiro, disposto no youtube, e replicado na seção de vídeos do Orkut, fui apresentado ao trabalho desse artista, que produz um som que eu ousaria chamar de MPB Roots. Com visível influência de uma genuína MPB, o cantor não deixa de mostrar em seu trabalho uma infinidade de elementos de sua terra. É um mix de sons dos quais o samba, especificamente, o de roda tem forte representação.

Nas composições, letras simples, mas com arranjos que fazem toda diferença. Sílaba Muda a canção do vídeo é de uma leveza e lirismo que a muito não vejo em novos artistas. Talvez não tenha eu tido oportunidade de me esbarrar em outros artistas como ele. Quantos Silas haverão por ai com trabalhos belíssimos para nos presentear?

Aparentemente, a carreira musical de Silas é recente, no entanto a qualidade do trabalho já pôde ser comprovada no Unifest, festival universitário de música em que participam músicos de todo o estado. Com a composição Samba TQT – um belo samba de roda – que fala da principal festa baiana, o carnaval, Silas ganhou o primeiro lugar com a canção.

Enfim, é um trabalho que vale a pena conferir. No MySpace do artista é possível conhecer algumas composições dele. Não deixem de conferir! Bendito seja o Orkut. (risos).

Abaixo vídeo que me apresentou o artista.

Sílaba muda - Silas Giron


Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Semana Santa

É galera, apesar de não ser religioso, achei importante postar algo nesse dia tão importante para cristãos do mund todo.

Segundo dizem os antigos, hoje é um dia em que deveriamos reverenciar o silêncio, em sinal de respeito ao calvário vivido por Cristo. Ou seja, este post deveria ser uma exaltação ao oposto da música, mas, por uma questão de (não) tradição, não será o caso.

Apesar de pessoas como eu não mais seguirem e reconhecerrem nesta data a importância que ela tem, eu desejo que o dia de hoje seja um dia, se não de reflexão, pelo menos de paz interior.

Voltando ao não-silêncio, deixo aqui como uma homenagem uma música que muitos diram clichê, mas que particularmente vejo uma representação ideal para a data. A música de Chico Buarque e Gilberto Gil que nada mais é do que uma bela alegoria pra um contexto politíco que minha geração não viveu. Para vocês... Cálice!

Boa Páscoa a todos!

Cálice
Composição: Chico Buarque e Gilberto Gil
Intérpretes: Chico Buarque e Milton Nascimento



Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Sampa: uma canção


Olá caros leitores deste blog, hoje serei breve. Vim só postar uma música que gosto muito - Sampa. A canção composta pelo meu conterrâneo e, indiscutívelmente, grande compositor brasileiro, Caetano Veloso, é uma homenagem a cidade de São Paulo.

Considero essa uma das composições mais bonitas do Caetano. O louco é pensar que uma sintese musical tão bonita de São Paulo, reconhecida como "hino" por paulistas famosos como Jô Soares, tenha sido feita por um baiano.

Minha querida Bahia já foi por diversas vezes homenageada por esse e por outros artistas consagrados, mas isso não me conduz a não reconhecer quão bem feita é a música Sampa.

Abaixo a letra e o vídeo da canção.

Sampa

Composição: Caetano Veloso

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa



Sampa - Caetano Veloso