
Em outubro do ano passado, este blog falou sobre a campanha que os moderadores da comunidade haviam feito buscando o apoio dos usuários (mais de 900 mil) no embate contra as entidades representantes da indústria fonográfica, que a algum tempo exerce forte pressão pelo fim da comunidade. Apesar da mobilização de muitos dos integrantes da comuniade, INFELIZMENTE, no último domingo, os moderadores da Discografia anunciaram o fim das atividades, pegando muitos usuários (como este que vos fala) de surpresa.
Aos usuários, a moderação, como quem apresenta uma nota de falecimento justifica: "Nosso trabalho foi árduo para manter as comunidades organizadas, sem auferir nenhum tipo de vantagem financeira com elas, somente com o intuito de contribuir de alguma forma para a cultura e entretenimento". E, aos incoformados como eu, disponibilizou uma lista com o nome e o contato dos órgãos, e mesmo respresentantes deles, responsáveis pleas sucessivas interpelações judiciais.
Aqui começam as reflexões deste blogueiro viciado em música e que tinha na comunidade a possibilidade e o estimulo de conhecer novos artistas, novos sons. Sempre me pego pensando nesse antagonismos (que deve ser revisto) entre DOWNLOADS e DIREITOS AUTORAIS. Embora compreenda o argumento utilizado pela indústria fonográfica, não acredito que a gratificação dos autores só possa acontecer através da venda de cds. Penso, inclusive, que atitudes como essa - o fechamento da comunidade Discografia - apenas diminua a capacidade de divulgação dos artistas em geral e que seja um estimula aos verdadeiros piratas.
É ilusão achar que as pessoas passem a consumir mais cds por conta da dificuldade de se fazer os downloads. As pessoas deixam de comprar cd não por que é mais fácil baixar mas sim por que, no país em que vivemos, comprar um cd significa deixar de ter uma boa educação, deixar de ter uma boa alimentação, significa não ter a possibilidades de consumir a música 'ao vivo', e mesmo outras artes. Niguém, sobretudo nós brasileiros comuns, tem a possibilidade de ser um consumidor ativo de cds ou shows. Então isso significa que não posso ter a oportunidade de conhecer um pouco a fundo a trabalho de mais nenhum artista? Ou devo tirar na sorte que artista deverei conhecer?
Enfim, passaria horas aqui argumentando o quanto me sinto excluído por essa lógica insensivel do capitalismo. Acredito de verdade que as gravadores (se assim quiserem os artistas) poderiam ganhar sobre sua produção intelectual de outras formas. Me sinto prejudicado apenas por ser um apixonado por música que teve a oportunidade de conhecer a fundo o trabalho de muitos artistas, nacionais e internacionais, por conta de iniciativas como a comunidade Discografia. Via a comunidade como uma forma de vitrine musical onde eu podia conhecer músicas. Gostaria MUITO de constituir uma cdteca, mas não é a minha realidade. Terei agora que me contentar em conhecer uma ou duas músicas - possivelmente as comerciais - dos artistas que já conheço. É uma pena!
Ah... não poderia deixar de lançar aqui um questionamento àqueles que por ventura leiam este texto. Vocês concordam que esse combate aos downloads possam ser um estimula aos VERDADEIROS piratas, que sempre encontram uma forma de reproduzir os discos e colocarem nas bancas de camelôs país a fora???