
Postado por Midiã Noelle
foto: Lorena Lima
Reconheceram esse título? Pois é... Quem é blogueiro e gosta de Internet, sabe de quem estou falando. São eles, a Banda O Teatro Mágico.
Uma mistura de Sarau, com diversos estilos de músicas e um figurino nada convencional de clowns. O Teatro Mágico, banda surgida no “Mundo Mágico de Ozzz...Osasco”, como diz o Fernando Anitteli, líder do grupo, conseguiu conquistar inúmeros fãs, em menos de cinco anos, apenas com a ajuda de um veículo comunicacional: A Internet.
Atualmente a maior comunidade deles no Orkut, possui mais de 70 mil pessoas. Imaginem aí? Daqui a dois dias vai passar a comunidade da Ivete Sangalo (olha ela de novo) que tem se não me engano, quase 200 mil pessoas, rsrs.
Eu, particularmente, não irei mentir, sou fã de carteirinha. Os dois únicos shows que eles fizeram em Salvador, eu fui, e nos em ambos eu tive a oportunidade de falar com eles, até entrar no camarim. Mas, o quero frisar é a inserção da Indústria Cultural no contexto Mágico Teatral da Trupe.
A Indústria
O discurso “Contra Burguês, baixe mp3”, é um jargão muito utilizado por Anitelli, só que ao mesmo tempo em que ele é a favor dos downloads, e contra a “burguesia”, esse “idealismo”, se torna contraditório. Pois, quem é a burguesia?
Paremos e analisemos, quem possui computador em casa? Ultimamente o acesso a Internet está bem mais fácil, é óbvio, mas não querendo ser excludente e com visão preconceituosa, qual o nível de ouvintes da banda o Teatro Mágico? Não são os filhos da burguesia?
Sim, somos nós os filhos da classe média. Lembrando que esse “burguês” a qual ele se refere são as indústrias musicais que “comem” o dinheiro do artista sem dó, nem piedade.
Se formos pensar no contexto de Indústria Cultural, é simples. Seria definido como a Mercantilização da Cultura. O Teatro Mágico é a favor de baixar arquivos na Internet, o vilão das grandes gravadoras. Ponto para o TM! Mas esse processo de massificação de super câmbio da música, não acaba por perder a Aura* da música? É irônico, pois a pirataria é a resposta, ou melhor, um tapa de luva na “cara” da Indústria Cultural, que na verdade foi quem criou a pirataria acidentalmente.
[...] O processo que leva à superação da cultura burguesa tradicional da obra de arte única etc., se carrega inegáveis potencialidades no sentido da democratização da cultura, é essencialmente um processo de constituição de uma cultura e de uma forma de produção cultural especificamente capitalistas, representando, antes de tudo, a vitória mais retumbante do sistema: a extensão da lógica do capital ao campo da cultura e ao conjunto dos modos de vida.(Bolaño, 2000, p.117)
Os ouvintes
No ponto de vista, soteropolitana, moradora da capital Baiana. É impossível não receber um choque cultural e social, ao ir num show deles, é uma borbulha de informações, de pessoas, de jovens que em sua maioria se dizem de mente muito aberta, evoluída, entretanto, ao saírem do show, voltam a ser aqueles mesmo playboys e patricinhas, que não gostam de poesia, não sabem o que é o estilo cordel (pensam apenas que é uma banda), vivem de interpretar personagens para tentarem se inserir num contexto pseudo-intectual de ser, e enganam a eles próprios.
*Aura – Era a forma como Walter Benjamim, frankfurtiano, estudioso da Sociedade, se referia a perda da autenticidade, com a perda do testemunho histórico de uma arte.
Esse assunto dá muito pano pra manga. Estou produzindo um artigo referente a isso. Quando estiver pronto, e eu abordar todas as vertentes possíveis, sem cair no clichê, na visão do senso comum, e quebrar paradigmas meus, e os estipulados pelo assunto. Depois postarei aqui, para vocês analisarem, e opinarem.